sexta-feira, julho 13, 2007

Não percam!

Pan!

No manuel e juaquim vendo a abertura dos jogos. Parece um desfile de terceiro grupo.

Cachaça também é cultura

Lembrança de Roque Santeiro. Antes de fazer carreira internacional como retrato do Brasil (ou algo levemente parecido), a novela-símbolo do pós-ditadura fez um grande desserviço à causa patriótica. Pegou carona na exaltação a uma tal cultura da cachaça e da broa de milho (ou foi a novela que criou o buzz cachaça-broa-de-milho; minha memória de 1985 não é assim tão nítida, mas lembro que não se falava de outra coisa). O garoto-propaganda era o intelectual-esquisito-lobisomem de plantão. Não disse que esse negócio de estudar faz mal à saúde?

Mas o papo da cultura de comer e de beber valia mais pelo não dito: era uma resistência contra O Pirata Lourinho de Olhinho Azul, o bicho-papão dos nacionalisteiros.

Isso é praticamente chutar um cachorro morto. Fácil é tachar hambúrguer de não ser exatamente comida, Coca-Cola de não ser exatamente bebida. É uma atitude que se toma sem fazer careta. Difícil é convencer a galera das virtudes das alternativas. Até parece que é sinal de grande amor à Pátria queimar a garganta e beber até cair. E que seja rápido, antes que se comece a filosofar do ponto de vista privilegiado de quem está muitas doses acima da Humanidade.

Como as Havaianas, o destilado de cana virou coisa chique. Mas enquanto as sandálias são produzidas em massa e não admitem imitações, a força cultural das cachaças está em sua diversidade. Cada aldeia de duzentos habitantes tem a sua. Sempre com uma tradição subjacente ou um rótulo criativo, jocoso, simbólico do etos do Brasil profundo.

Antes era só desconfiança. Virou certeza no dia em que fui a um restaurante regional de butique onde o acervo de cachaça era atração. Nas toalhas de papel das mesas, centenas e centenas de rótulos de cachaça. Mais ou menos como naqueles cartazes das quaquilhões de marcas de cerveja da Bélgica. Enfim um denominador comum de identidade acima das discrepâncias regionais, do abismo social, das etnias e dos sotaques: a cachaça! Viva! Acontece que, diferentemente das cervejas belgas, 99% das cachaças não prestam.

As centenas de nomes são outra prova incontestável, dizem, da sagacidade brasileira. O dicionário lista trocentos sinônimos para cachaça (quem sou eu para contá-los?). Estão no dicionário; todo mundo acha que tem que levar cada um dos nomes a sério. Mesmo que só existam em paróquias minúsculas, sem interesse dicionarizável. Há milhões de termos que os dicionaristas recusam por esnobismo ou correção política, mas parece que a caninha, a pinga, a marvada, a parati etc. etc. amolece qualquer critério.

Ou como você imagina que tenham desenterrado aqueles nomes todos? Do jeito que são caros os dicionários brasileiros, deve existir um exército de pesquisadores vagando pelas brenhas do sertão, um Projeto Rondon lingüístico em busca de novos verbetes e locuções para engordar o pai dos burros.

Um deles chega em Jeripoca do Noroeste e entra numa birosca, ou qualquer que seja o nome que dão àquilo naquelas terras. Os locais estão no balcão entornando muitas e muitas. Olham o estranho por uma fração de segundo. Talvez nunca tenham visto alguém tão pouco bronzeado em suas vidas. O suficiente para que dediquem o típico desprezo caipira a quem não conhecem.

Insensível à falta de calor humano, o bandeirante do idioma encosta no balcão e puxa um papo com os nativos: "Oi, meu nome é Simplício e sou pesquisador do Dicionário Epaminondas da Língua Portuguesa."

A turma se entreolha. Sorrisinhos de Mona Lisa, olhares de “lá vem mais um pato da cidade grande”. O mais velho toma a iniciativa:

“Achegue-se! Seu Zé, manda aí pro nosso amigo a estrogofúndia que matou o guarda."

O mais novo quase tem um ataque de riso de se engasgar no engasga-gato, mas leva uma botinada na canela (nosso pesquisador, agora encantado com a hospitalidade jeripoquense, nada percebe) e faz cara de sério.

Assim segue o papo movido a álcool, como se a cachaça tivesse sido chamada de estrogofúndia desde o tempo dos jesuítas. Ele anota em seu bloquinho: "Estrogofúndia (s.f.): (Bras., Jeripoca do Noroeste) Cachaça." E assim sai no dicionário. Quem vai duvidar? Quem mais esteve em Jeripoca do Noroeste para conferir?

Na cidade grande, no boteco vizinho à faculdade, a descoberta lingüística vira tema de conversa. Quer pegar uma estudante de Humanas descolada e moderna? Diga ao pé do ouvido da moça: "Você sabia, gata, que em Jeripoca do Noroeste eles chamam a cachaça de estrogofúndia?" Pronto! Ganhou pra hoje.

Cachaça também é cultura. Quer dizer, no Brasil a cultura vai pouco além da cachaça.

quinta-feira, julho 12, 2007

Relaxa e compra

Rá, rá, rá.

Estava assistindo ao Jornal Nacional. No intervalo, a propaganda de uma concessionária da Peugeaut mostra um marmanjo, fantasiado de Marta Suplicy (a ministra do Turismo), exaltando o preço baixinho dos seus carros, sob o lema: “Relaxa e compra”. É tudo meio tosco, mambembe, sub-Casseta & Planeta.

Esta não se livra mais de si mesma. Estou torcendo para que seja ela a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo.

Decifrando a nova direita

Há aí, parece, uma tal de “nova direita”. Como o bicho parecia extinto e ninguém concede ao monstrengo o direito de existir, o empenho em investigar o fenômeno é enorme. Primeiro foi aquela reportagem mitológica da Folha, que todo o mundo conhece. Desde então, milhares de cochichos a boca pequena. Recentemente Luís Nassif (...)

Happy Earth Day - and never forget that telling the truth is the first, indispensible step toward wise management of our resources.

Abaixo a meia entrada obrigatória

Problema da meia-entrada virou 'bola de neve'. É a 'lei do engana-que-eu-gosto'

RIO - Produtores culturais e exibidores de cinema resolveram botar a boca no trombone para tentar reverter uma situação que, segundo eles, está esvaziando teatros, shows e salas de cinema: o uso ilegal das carteiras de estudante no Brasil.


O modelo contemporâneo de meia entrada para estudantes foi criado para conceder à UNE e à UBES uma renda garantida. Ainda que o monopólio das megaentidades estudantis fosse quebrado na Justiça, como foi, o recado dos "companheiros" estava dado: a falta de acesso do povo aos bens culturais era resultado de uma conspiração das elites que só podia ser quebrada pela vontade política.

O conceito de "bens culturais" está furado. O desconto de 50% só atinge os alvos mais fáceis. Baile funk é digno de meia entrada. Livro de Aristóteles não é.

Se o povo não tem acesso (= dinheiro), por que só os estudantes são beneficiados pela meia entrada? Com o incentivo da meia entrada, a idéia é inventar um estímulo para que todos sejam (ou, com carteiras falsas, finjam ser) estudantes. Numa eterna preparação para um futuro que nunca chega.

quarta-feira, julho 11, 2007

Serviço de utilidade pública mundial

Este tem que ser reproduzido por inteiro. Original aqui.

No site do Paulo, vi que mais um ataque dos imperialistas contra nossa auto-estima (eles devem estar se pelando de medo do Brasil que vem aí!) resultou num mini-bundalelê internacional.

Muitos estrangeiros - ignorância é um problema mundial, minha gente - não sabem que um dos mais valorizados e protegidos patrimônios nacionais é a nossa auto-estima. Faça um estrangeiro o que quiser por aqui, roube, seqüestre, transe com nossas crianças, use o país como esconderijo, enfim, o diabo!, mas nunca, eu disse NUNCA, fale mal do Brasil e, principalmente, do Rio de Janeiro (na verdade, para muitos cariocas, Brasil e Rio de Janeiro dão no mesmo).

Cidadão consciente dos meus deveres para com os irmãos do planeta, resolvi elaborar um pequeno, mas muito útil, guia do viajante para o Brasil. Este guia tem por objetivo tornar o visitante uma pessoa mais simpática aos olhos dos nativos, o que pode tornar a estada no Bananão menos sofrida, digo, mais prazerosa.

Em breve articularei meus contatos no Ministério do Turismo para que tenhamos o guia impresso e distribuído nas principais línguas do planeta. Vamos a ele:


DA VIAGEM

1. Dependendo do local onde o turista embarca rumo ao Brasil, ele pode se ver diante da espécie mais aterradora que existe sobre o planeta: o brasileiro-mirim. Se o vôo vier de Miami e em época de férias escolares, é batata! Mas não se desespere, já é uma boa chance de ir treinando o principal atributo para suportar a estada no Bananão: a paciência. Se um brasileiro-mirim estiver sentado atrás da sua poltrona, será treinamento intensivo!

Um pouco de compreensão é necessária. O brasileiro-mirim é um animalzinho criado em cativeiro sem adestramento. Quando se vêem em espaços amplos e sem grades, tendem a surtar e sair correndo para tudo que é lado, gritando feito loucos.

Dica: nunca exija dos pais do pimpolho que eles o disciplinem! Isso é uma ofensa inimaginável para um brasileiro. O comportamento recomendado é sorrir para os pais e dizer "criança é assim mesmo..." num tom próximo ao de um pedido de desculpas envergonhado. Se o viajante resolver ignorar esta recomendação e reclamar, certamente se tornará o pária do avião, ouvindo comentários do tipo "estressaaaado..." ou "é coisa de gringo, é tudo arrogante!"

2. Durante a viagem é possível que sente do lado do viajante um brazuca daqueles ferrenhos. Para este, tudo que há no Brasil é melhor do mundo e o brasileiro é o povo mais marvilhoso do mundo que reúne qualidades somente encontradas em divindades gregas e, mesmo assim,,nunca ao mesmo tempo. Este tipo não se cansa de usar estereótipos e clichês para sustentar seu ponto de vista e também não prima pela gentileza. Ele é capaz de esculachar a cidade natal de um gringo ao compará-la com uma do Brasil, mas tudo sem maldade claro!

Dica: nunca questione um estereótipo cuspido por um brasileiro! Não importa quão absurdo ele pareça e nem quantos dados você tenha que o desminta. Aliás, NUNCA conteste estereótipos com dados, isso é visto por aqui como gravíssima demonstração de arrogância. Tudo que o viajante tem que fazer é balançar a cabeça afirmativamente e dizer "humm-humm" como se aprovasse os absurdos que está ouvindo. Se o fizer, certamente o brazuca ira dizer para os amigos depois que viajou com um gringo tão maneiro que até reconhece quão superior o Brasil é ao lugar de onde veio.


DA CHEGADA

Ao chegar no aeorporto o turista terá o primeiro contato com nossa mais cultivada instituição: a otoridadi. É fundamental que o viajante desenvolva o olhar humilde para quando se dirigir a uma otoridadi, principalmente se for uma otoridai federal. Aqui no Brasil, "federal" é adjetivo que designa qualidade, importância, relevância. "- Cara, esse carro é federal!"siginifica que o carro é excelente, muito bom."-Putz, estou com uma dor de cabeça federal!" significa que a dor de cabeça é muito forte.


DA ESTADA

Agumas dicas de comportamento que facilitarão a aquisição de novas amizades no Brasil. Primeiro vamos definir amizade. No Rio de Janeiro, amigo é qualquer pessoa que você saiba o primeiro nome. Se souber o nome todo é amigo mais chegado. Se souber qualquer outro detalhe, é amigo íntimo. O brasileiro mais fraquinho no Orkut tem 986543212345678909876543 amigos.

Dica: cidades como o Rio de Janeiro não são reconhecidas pela qualidade do serviço. Mas não convém reclamar. O lance é embarcar nessa e passar a chamar serviço merda de serviço despojado ou casual. Se um brasileiro te levar no point da cidade e você achar o lugar uma titica, procure encher a cara. Ajuda bastante a mudar os parâmetros de qualidade. Não faça comentários esnobes e deselegantes tipo: "que lugar fedorento!", "tem uma baratona na mesa!", "o frango está cru!", "o copo está sujo!" ou "dá para me atender ou está difícil?" Quando o brazuca te perguntar do que achou do lugar, sorria e fale "Que exótico! Na minha terra não dessas coisas..."

Dica: ao andar pelas ruas do Rio de Janeiro alguns cuidados são necessários: (A) evite exibir objetos de valor tipo qualquer coisa que possa ser arrancado de você, (B) evite sandálias abertas, pois nossas ruas não famosas pela sua limpeza. (C) aprenda a dizer "não tenho trocado" que é a desculpa usada por ricos, remediados e pobres para não dar esmola para os 98765433456789 de pedintes que encontram diariamente nas ruas. Se algum brazuca, sabe-se lá o porquê, se mostrar envergonhado com algum desses detalhes, use a mentira que mais gostamos para confortá-lo: "-Cara, isso acontece em todas as grandes cidades do mundo!"

Dica: no Rio, quando for a uma de nossas praias recomenda-se um cuidado a mais (além de não levar nada de valor, ou seja qualquer coisa que possa ser arrancada de você): tome todas as vacinas que puder! Há uma crença entre os nativos de que na cidade do Rio estão as mais belas praias do mundo, com destaque para Copabacana. Quando você finalmente estiver frente a frente com a "Princezinha do Mar", evite ficar perto das línguas negras (esgoto lançado nas areias em direção ao mar) por motivos óbvios. Quando um carioca perguntar "-É ou não é a coisa mais linda que você já viu?" jamais responda "Tá maluco?!" pois isso fará de você o inimigo público número um! Para sair dessa sem mentir mas sem ofender a alma carioca basta dizer "Nunca vi igual na minha vida!"

Dica: em algum momento da sua estada no Brasil, alguém perguntará o que você está achando do brasileiro. Não importa que você só tenha conhecido uns poucos pontos turísticos da cidade e se relacionado com uma meia dúzia de gatos pingados nativos. Ele não quer uma análise aprofundada da nossa cultura e do nosso jeito de ser, ele apenas quer a sua aprovação. Tudo que você precisa dizer para se transformar no "gringo gente boa bagaray" é "-Que povo maravilhoso!". Certamente você ganhará ainda mais pontos se disser coisas como "-Sinto falta dessa energia, desse calor humano no lugar de onde venho!" ou "Me dá vontade de largar tudo e morar aqui!". Claro que nada disso impedirá que brasileiros enrolem você na intenção de faturar uns trocados. Amigos, amigos. Negócios à parte.

Por enquanto é só. Não posso divulgar mais senão alguém rouba minha idéia e perco a chance de obter patrocínio do Ministério do Turismo.

Update: se, em uma eventualidade, você for vítima de um raro ataque de criminosos e acabar se ferindo, não saia do país esbravejando "-Que selva! Não volto aqui nunca mais!" Além de atrair antipatia das otoridadis e dos nativos, seu país se tornará alvo da nossa zelosa imprensa que usará algum evento recente de tragédia para mostrar que os selvagens são vocês: "Americano, em cujo país trucidam-se crianças nas escolas diariamente, diz que não volta mais ao Brasil. Já vai tarde!" A resposta correta, neste caso, é "-Ora, isso acontece em toda grande cidade do mundo e não mudará minha opinião sobre o país. É claro que nas próximas férias considerarei a alternativa de voltar aqui."

terça-feira, julho 10, 2007

Quer escrever um livrinho? Eis um tema legal

Mostre que você é uma pessoa que viveu o seu tempo (e não o viveu no PlayStation ou no Second Life), está a fim de estudar a sério e não tem medo da cara feia dos medalhões palpiteiros:

Visões da ciberfronteira: como eles viram a internet em seus livros
Me parece que o tema que mais matou árvores nos anos 90 foi a análise do que a Grande Rede fora/era/viria a ser. "Análise"? Todo mundo achava que podia soltar uns palpites e lançá-los em livro. Muitos foram best-sellers e fizeram as cabeças de muita gente por aí. Anote esses títulos.

Selecione quais deles envelheceram mal e seguiram o mesmo caminho da pochete, da lambada e do Fiat 147. Compre os livros. São aqueles das bancas de "tudo por R$ 1,99" das grandes livrarias de informática.

Peneire sete ou oito títulos que, no conjunto, cubram um espectro amplo da "problemática" internética: os temas não podem se sobrepor muito.

Disseque-os. Mostre aos leitores onde eles erraram, por que erraram, quem esposou suas teses furadas e quem os desmentiu na época (o que mais se ouviu depois do estouro da bolha pontocom foi "Não disse? Bem feito!").

Enfim, não falta assunto. Mãos à obra!

Rumo ao Cristo

Meu primo está no Rio. Surgiu a idéia de levá-lo ao Corcovado de trenzinho. Fui pesquisar o que nos espera. A passagem da Estrada de Ferro do Corcovado, ida e volta sem descontos, custa 36 reais, aproximadamente 3,5 reais por quilômetro. Entre Rio de Janeiro e Paris há 9.126 km. Nesse trecho, uma passagem de primeira classe da Air France custa uns R$ 9 mil, taxas incluídas. Façam as contas.

[Update] O site do Corcovado é completamente tosco, pobre, mal-ajambrado. Parece que não é reformado há anos (chama os cartões de "virtuais"? E os oferece naquela interface?). Não esclarece quase nada, põe o telefone pouco visível, telefono e descubro que a ligação caiu num gabinete parlamentar (tenho certeza de que teclei o número certo).

Eleição irrelevante

Nada vai mudar em Bananópolis devido a eleição de uma estatua para ser uma maravilha do mundo. As legiões de pobres que perambulam em Bananópolis continuarão a serem pobres.

segunda-feira, julho 09, 2007

¡¡¡Calentamiento global!!!

Los porteños viven hoy una jornada histórica a raíz de la ola de frío polar. Nieva sobre distintos barrios de la Ciudad de Buenos Aires y del Gran Buenos Aires. (...) "Están cayendo copos de nieve en toda la ciudad(...)" (...) La última vez que nevó en la Ciudad de Buenos Aires y sus alrededores fue en junio de 1918.

Família vende tudo! É pra acabar!

Um grande sortimento de discos de vinil (muitos maxi-singles dos anos 80), uma cadeira de escritório totalmente articulada, livros clássicos de informàtica. Desta vez sem intermédio do Mercado Livre: tudo direto com o vendedor. Consulte!

Para não dizer que não falei do Live Earth

(em homenagem aos tarados que vêm a este blog em busca de "vídeo proibido da Xuxa")

A maior estrela da televisão brasileira foi rebaixada a showzinho de abertura em concerto-farofa, mas pensa que continua abafando.

Observação da minha esposa, xuxista dos velhos tempos: "os fãs da Xuxa crescem, a própria Xuxa não". Isso aí. E disse mais sobre o espetáculo da Praia de Copacabana: "Xuxa não agüenta mais nem dançar". Tudo bem. Em compensação, sob uma decoração... hã... alegre que mais parecia uma festinha de aniversário de subúrbio (o que Jorge Fernando está botando no suco de laranja da Xuxa?), um corpo de baile de paquitas falsificadas e dançarinos "de rua" mal-ajambrados tinha amplo espaço para se movimentar. Compare com qualquer outro show do Live Earth que tivesse ocupado o palco com músicos de verdade e instrumentos de verdade. Se Xuxa
não canta nem dança, o que ela pensa que faz num show?

Xuxa tem que saber a hora de parar. Ela tem saúde. Beleza. O carinho dos fãs. Um quaquilhão no banco. E uma missão séria em sua vida: criar sua filha. Xuxa conquistou tudo, menos a capacidade de continuar fazendo papel de Xuxa. Já passa da hora de sair da redoma auto-infantilista. Xuxa não conquistará maturidade e sabedoria pelo critério da antiguidade. Dercy Gonçalves só há uma.

*****

Mas lembremo-nos de Miguel Falabella: a zero real vocês queriam o quê?
O show brasileiro foi o único com entrada grátis. É sintomático. Mesmo com o dólar descendo às profundezas sub-R$ 1,90 e certos setores da indústria chorando as pitangas, é claro que os exportadores inteligentes continuam se dando bem quando trocam sua produção por moedas fortes. Não poderia ser diferente: os estrangeiros pagam.

domingo, julho 08, 2007

Gringo burro chega ao Brasil, chama-o de Congo, mas está mesmo em Peyton Place

O DVD é mais interessante pela capa, mas não passa disso: dispensem o açucarado filminho de Hollywood, mergulhem de cabeça no livro, telenovelesco do jeito que o povo gosta, cínico do jeito que pouca gente admite entender. O que só confirma a tese da autora.

Peyton Place é aquela cidadezinha do interior típica, onde todo mundo vigia a vida de todo mundo e, por trás das aparências adoráveis, todos -- todos! -- têm seus podres. Para uns, em A Caldeira do Diabo Grace Metalious desenhou um microcosmo da grande hipocrisia nacional da América real. Para outros, trata-se de um roman à clef, uma grande revanche da escritora contra seus vizinhos não-pinguços de lares não-desfeitos. E, somando o insulto à injúria, foi um best-seller mundial. Imaginem se fosse no Brasil.

Busquemos uma síntese. Quem não identificou de cara a principal personagem da Caldeira... pode até pensar que Metalious não passa de uma Manoel Carlos de saias buscando a simpatia do leitor por suas três "Helenas". De fato, Allison, Selena e Constance parecem levar o livro nas costas peitando a caretice vigente. Só que a verdadeira grande protagonista permanecia inabalável como o Cristo do Corcovado: a "comunidade" com seus olhos coletivos que tudo vêem e sabedoria coletiva que a tudo julga. A voz coletiva da aldeia, voz de todos e de ninguém, é a autoridade suprema. E não há nenhuma lei escrita conferindo autoridade a uma massa amorfa -- afinal, "todo mundo" sabe que sempre foi assim, não é?

Quando Grace Metalious descreve a opressão da "comunidade" sobre indivíduos que se fingem de satisfeitos, não conheço melhor demolição dos mitos da caipirice. O espírito interiorano é esse. Não ouse fazer diferente do que “a comunidade” sempre fez. Já que “todos” estão todos tão bem assim, por que mudar? Não ouse nem pensar em fazer diferente. E cuide para que ninguém pense que você pensa em fazer diferente.

O Brasil não se cansa de dar provas de que, no que interessa, é uma Peyton Place que só tem tamanho. A diferença é que as depravações no lugarejo fictício eram mais ou menos dissimuladas. No Impávido Colosso, os cidadãos honestos e éticos é que se arrastam pelos cantos, envergonhados de sua condição.

De resto, o comportamento do brasileiro típico frente à geografia tem o Padrão Jeca de Qualidade: o mundo se resume ao que a vista alcança, o resto é pura mistificação. Por que imaginar que não seja? Aí já seria preciso estudar (trabalhoso) e tirar conclusões com a própria cabeça (se a "comunidade" já pensou por mim, por que contrariar?). Se você já ouviu alguém dizer "lá pra aqueles lados é tudo a mesma coisa" como quem afirma uma verdade óbvia de conhecimento geral, sabe do que estou falando.

Curiosamente, a aldeia global só agravou o culto à jequeira. Com a disseminação da internet, uma legião de Polianas imaginou que -- enfim! -- os brasileiros interconectados poderiam enxergar por cima do muro, encontrando-se com outras gentes e outras culturas. Não assim tão fácil. Em regra, "criptografados" em uma língua que poucos países usam (e orgulhosos de não falar qualquer outra) e escondidos em sites que ninguém pode levar a sério (Orkut, por que não), brasileiros só se comunicam com suas próprias patotas. Nós somos o máximo; os outros, que não conhecemos, só podem ser umas bestas. E vale o que declarei quando da eleição do Cristo: "Como uma legião de Baby Sauros, dão por certo que o mundo inteiro tem que amar o que é 'nosso'/deles."

*****

Além do completíssimo discurso de Rodrigo Constantino, outro ilustre blogueiro resumiu bem duas possibilidades engraçadas a respeito do tal incidente internacional:
1) Algum representante do Congo se manifestar exigindo explicações sobre o porquê da comparação feita pelo gringo ser ofensiva. Quero ver nego sair dessa sem ser politicamente incorreto.

2) O Congo exigir retratação dos EUA por ter se sentido ofendido com a comparação.

Maravilha! Eu não compactuei

Enfim acabou a novela do Vote-no-Cristo. Não olhem para mim desse jeito. Não tive nada a ver com isso.

Reafirmo que os cariocas costumam amar a estátua, pelo menos quando o bombardeio midiático não desperta o velho diabinho camisa-negra há tempos adormecido na consciência. Não sei o que os outros pensam por aí, mas Janer Cristaldo comprou a idéia de que o Cristo Redentor é ruim. Não concordo, mas sou suspeito: a estátua sempre me foi tão familiar que parece estar lá em cima desde o início dos tempos. O Cristo não é ruim. As outras maravilhas é que são mais maravilhosas.

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E a Unesco reclamou da eleição das Sete Novas Maravilhas. Ou seja: se for para tombar alguma coisa, que seja pela "nossa" comissão de tombamento! Os globalocratas conseguiram de mim o impossível. Entre a Unesco e o site picareta da eleição das maravilhas, estou com o site picareta e não abro.

sexta-feira, julho 06, 2007

Sete Maravilhas: o fim esta' proximo

Cruze os bracos, desplugue o cabo de rede, esconda o celular, mas nao contribua com seu precioso voto para o maior factoide carioca desde o grande bafo chamado Rio-2004. Lembram quem era (e') o cheerleader das duas arapucas? Coincidencia?
 
Pelo menos eu e o Rodrigo Constantino (consultem o post dele sobre o tema em http://rodrigoconstantino.blogspot.com) nao somos os unicos cariocas nauseados com essa lavagem cerebral. Muita gente esta' reagindo contra. E reagindo com um tipo de radicalismo jamais visto. Um colega chegou a argumentar: "Quem esculpiu nem era brasileiro." Serio. Em todos estes anos nesta industria vital, nunca tinha visto uma pessoa sequer se tocar desse detalhe como caracteristica negativa do Cristo. Quer dizer: nunca tinha ouvido um carioca falar mal da estatua, ai' incluidos ateus, comunistas e wiccanos ("esotericos", e' claro, consideram o Corcovado um tremendo "centro de energia").
 
Vamos combinar assim: troquemos o Cristo por uma carranca gigante do Sao Francisco, totalmente projetada e executada por gente da Nossa Terra e do Nosso Sangue, e facamos uma nova eleicao das Sete Maravilhas.

A salvacao do email

Na primeira metade dos anos 00 o email "enquanto" midia continuou crescendo como se esbanjasse saude. Mas estava sob seria ameaca. Culpados: blogs (e outros meios de se botar a boca no mundo), spam, spam e mais spam. O bombardeio de lixo parecia invencivel. Nunca um antispam funcionou do jeito esperado. Espertalhoes da classe politica juravam que podiam proibir o spam por lei. E teoricos da conspiracao gastaram muita saliva se perguntando quais poderosas forcas ocultas teriam interesse em melar a anarco-utopia do email, transformando-o em veiculo lento, inconfiavel e inseguro. Por fim, por que usar email quando um ICQ ou um Messenger funcionam melhor?

Ai vieram o Gmail e o BlackBerry. Depois eu continuo.

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--
[]s,
Paulo

Corram! Último dia para não votar no Cristo

Isto é, a estátua no alto do Corcovado. Essa eleição das sete maravilhas é um factóide que já foi longe demais. Mas todo mundo caiu direitinho. Um monte de cariocas, para sair bem na foto, se ufana de contribuir para o Cristo (e o Rio e o Brasil) conquistar esse "título" internacional. Mendigar certidões de reconhecimento é atestado de incapacidade de se garantir sozinho.

Esqueçam o argumento econômico de que um Cristo tornado maravilha atrairá mais turistas. Quer dizer, turistas viajam meio mundo em busca de certas atrações só porque essas atrações são tombadas como relíquias, declaradas Patrimônios da Humanidade ou o que seja? No dia em que a Torre Eiffel depender de algum tombamento para ser tida como um monumento de classe mundial, podem desmontá-la e vendê-la ao ferro-velho. E a eleição das novas maravilhas é só a promoção de um site oportunista. Internauta brasileiro é otário até a medula.

Se todo esse oba-oba traz alguma lição, não é sobre a importância da estátua, com sua indiferença pétrea diante do que se lhe diz. O entorno da estação do trem do Corcovado é loteada por flanelinhas picaretíssimos com a cobertura garantida dos traficantes das "comunidades" vizinhas. A polícia finge que não vê. O próprio trem, recheado de turistas, já foi saqueado no meio do caminho. Lá no alto do Corcovado, além de se pagar caro ao Ibama (se fosse hoje, o Ibama daria autorização para uma obra daquelas no meio da mata?), a própria arrecadação tinha sido sistematicamente "desviada" por uma quadrilha de espertalhões. Para os trombeteiros do reconhecimento internacional, nada importa. Como uma legião de Baby Sauros, dão por certo que o mundo inteiro tem que amar o que é "nosso"/deles. A qualquer preço. É porque é: está escrito. Não discuta.

quinta-feira, julho 05, 2007

Por que o Gmail reina supremo: 10 motivos

Em ordem alfabética:

  1. Desincentivo a anexos
  2. Desincentivo a assinaturas inúteis
  3. Desincentivo a cópias de mensagens e formação de listas
  4. Desincentivo a HTML poluído com imagens
  5. Dificuldade de leitura de conteúdo indesejável
  6. Facilidade para denunciar spam
  7. Grande espaço de armazenamento
  8. Liberdade da organização em árvore
  9. Liberdade do programa X ou do programa Y instalado
  10. Nada de janelas e mais janelas

quarta-feira, julho 04, 2007

Viva o Bruno!

Copiando e colando:

Não vou à Flip! E você?

Garschagen lê o jornal entre uma mamadeira e outra.

Dei uma passada de olhos nos jornais do dia. Euforia pela Flip, que começa hoje. Eu já disse que não vou, né? Muito escritor junto, muita gente falando sobre livro blábláblá. Meu ideal de civilização não permite mais do que quatro pessoas numa mesma mesa. Quem quiser, logo mais terei camisas: “Não fui à Flip! E você?”

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Aos poucos vou inserindo meus links preferidos aí ao lado. Aguarde e confie, já dizia alguém que não me lembro mais.

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A capa da Games


Edição de setembro de 2007. Como a imagem ainda não está oficialmente disponível na rede, eis um scan da capa. As cores não estão 100% porque o original não está 100%. Definitivamente, a Games já teve dias muito melhores quando a Playboy Enterprises tocava os negócios e os conglomerados tabaqueiros pagavam a conta (Games nunca foi revista para crianças; se fosse, eu não estaria falando dela aqui). Além do problema industrial, notei um certo descuido editorial que teria sido inaceitável nos anos 80. Como resultado, a revista está sem anunciantes: só tem calhaus e AdCouncil. O fim está próximo, mas eu sou teimoso.

Projeto! Quem quiser pode pegar e usar

Visite Copacabana Antes que Acabe -- Uma viagem fotográfica por todas aquelas placas e fachadas que resistem e resistem, mas não eternamente.

terça-feira, julho 03, 2007

Revista Games bate à porta: um momento de júbilo


Vinte e três anos depois de conhecer a Games, finalmente a recebo em casa. Não é pouca coisa.

Em 1984 eu tinha 12 anos e descobri a Games na Livraria Visão do Center V. O Center V era uma decaída galeria em Icaraí, a Livraria Visão era uma minúscula revistaria "especializada". Quer dizer, cada uma das duzentas revistas importadas era especializada em alguma coisa. O que salvava a loja do geekismo total eram os adesivos coloridinhos para meninas.

Numa primeira olhada, pensei que era mais uma esquecível revista de videogames (cobertura de Atari 2600 e similares ainda tinha que subir muitos degraus de antiguidade para ser considerada "inesquecível"). Não era. Em compensação, descobri que existiam enigmas e quebra-cabeças não-caretas. E gente que tratava jogos de tabuleiro com rigor quase científico. Amor à primeira vista.

Ainda assim, não a comprei, pois estava alguns milhares de cruzeiros acima da minha mesada. Acabei deixando a Games para lá. Mas em dezembro daquele ano, por acaso de volta à Livraria Visão, lá estava a Games de novembro, atrasadíssima (a revista sempre saiu bem antes do mês de capa) mas ainda interessante, esperando que eu tomasse uma atitude cívica. E lá fui.

Numa avaliação não muito rigorosa, eu entendia pouquíssimo do texto. Foi um choque lingüístico: se, naquelas circunstâncias, era para eu aprender inglês para alguma coisa útil além de ganhar o diploma, eis um excelente motivo. Até hoje colho os frutos daquele investimento.

Pela maior parte de 1985, sempre que possível, eu comprava a Games, que era praticamente impossível de se achar em qualquer outra loja; em compensação, parecia que a Livraria Visão deixava a revista do mês só me esperando, pois ninguém mais se interessava. Quando descobriram que a demanda era minúscula, a Games desapareceu do Brasil. Só fui reencontrá-la em 1996 em aparições muito ocasionais na Sodiler. Quase já era tarde demais para a saúde da revista, que tinha fechado em 1990 e passado de mão em mão nos anos seguintes.

Este ano decidi fazer a assinatura, algo que, é claro, teria sido impossível nos anos 80. Hoje chegou o primeiro exemplar. Sejamos realistas: a revista decaiu. Mas continua batendo um bolão. Dizem que é inadaptável à era da internet. Digo eu: melhor assim.

Conte com a sorte. Como sempre.

Aqui.

segunda-feira, junho 18, 2007

Leitura recomendada

Aqui.

terça-feira, junho 12, 2007

Não me esqueci de você, nobre leitor

Exemplo banal de psicose coletiva na TV...



Domingo, lá para as onze da noite. Um programa esportivo no canal sete, comandado por Luiz Datena. Jornalistas esportivos babam platitudes e implicâncias bairristas dos mais variados matizes. De repente, o ex-jogador Neto resolve bombardear o Vasco da Gama, a propósito dos "jogos em São Januário", insinuando que o time cruzmaltino tem sido beneficiado com um número suspeito de pênaltis quando joga em seu campo. Empolgado com a genial malícia do colega, Datena endossa a suspeita, fazendo alusões à influência de Eurico Miranda, dirigente vascaíno que teria o poder de "pressionar os juízes" a seu bel-prazer.
De repente, objetivo como um raio no meio da floresta, um jornalista de São Paulo corta o clima imbecilizante com uma declaração absolutamente herética: a estatística do último campeonato brasileiro diz que o "Vasco foi o time que teve menos penalidades máximas marcadas a seu favor. Isso é fato." Sem graça, meio amarelo, Datena dá de ombros, balbuciando algo como "Fatos? O que têm os fatos?" Tão rápido no gatilho verbal quanto havia sido na citação da estatística, o inconveniente e realista interlocutor respondeu: "Fatos? Fatos são a base de um jornalismo sério." - Please, uma estátua em praça pública para esse solitário indivíduo, só pelo "fato" de ser normal!
Cai o pano. Datena e seus acólitos deveriam ter pedido demissão ali mesmo - ou feito harakiri ao vivo, se fossem japoneses tradicionais -, para o bem da profilaxia da midia.
Essa cena dantesca se repete em todos os cenários do país, bastando que se reúnam algumas pessoas para "debater", por meio de arrotos mentais inacreditáveis, seja lá o que for: política, economia, samba, desmatamento no planeta ou menstruação das saúvas no baixo Egito. O ícone-mór desse culto à esquizofrenia coletiva é o poderoso Keiser eleito por milhões de abduzidos que, sem dúvida, como ele, também odeiam os fatos que desmentem suas fantasias.
Chamem a turma do Absolutely Fabulous!!!

Imagem: Patsy e Edina, absolutamente normais, se comparadas aos jornalistas tupinicóides.

Marx, o Groucho

4 comentários

sexta-feira, junho 08, 2007

Largo do Machado, a estação incompleta

Cadê o forro no teto?

quarta-feira, junho 06, 2007

Gary North

"If you wonder why the United States can import goods, year
after year, which buyers do not pay for through present
production, think of a rich aunt who sells off her jewels, year
after year, to meet living expenses. Finally, she takes out a
reverse mortgage on her home. She gets income. She loses
equity.

"The bad news is that her heirs will inherit nothing. The
good news is that the home's owners may allow the heirs to rent
the house at a market rate."
www.garynorth.com

segunda-feira, junho 04, 2007

Camille Paglia

"To me, comedy is a symptom of a balanced perspective on life, and people who are going around, like gloomy gusses, in that Sontag style of intellectual, these people are suffering from something coming from their childhood, it has nothing to do with the proper intellectual response to life..."

sexta-feira, junho 01, 2007

Grande inauguracao... ou quase

No momento de um GRANDE anuncio 'a comunidade internautica, o Blogger
apronta uma "manutencao". Quando esta mensagem for publicada, a coisa
ja' tera' sido sanada (ou algo do genero). Portanto, eis a dica:
http://gameshowfolhetim.blogspot.com

quinta-feira, maio 10, 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007

"A pirataria não afeta os artistas. Eles ganham mesmo é com os shows. Nós, piratas, é que beneficiamos os artistas com nossa divulgação grátis"...

Pelo menos era o que os defensores do Napster diziam incansavelmente.

Astros da MPB correm atrás de benefícios fiscais para turnês

Como consertar o Mercado Livre: cartório, a bocada eterna

Quem pensa que "dirigismo cartorial" é só uma expressão de efeito, sem significado literal, precisa ler certas mensagens de uma lista de discussão sobre o ML. Para evitar constrangimentos, não identifico o remetente.

Se o Mercado Livre fosse uma empresa séria poderia se fazer o seguinte!

Exigir de quem quer ser um vendedor certificado.

1-Cópia da ficha de identificação cadastral bancária,com tempo de conta de pelo menos uns 6 meses.
2-Cópia do RG e CPF
3-Comprovante de endereço (no nome da pessoa)
4-Um contrato na qual estam especificados direitos e deveres.

Tudo devidamente autenticado em cartório, pois assim a pessoa terá de apresentar documentos originais para à autenticação.

Outra coisa! os cartórios costumam tirar foto da pessoa.

Caso este vendedor lese algum usuário,o Mercado Livre poderá fornecer seus dados cadastrais a polícia federal ou Procon,mediante a solicitação do usuário.

Acredito de isto ajudará a fechar o cerco destes bandidos!

Cópia-e-colagem indispensável do blog de Eduardo Carvalho

O blog inteiro está aqui.

Paulo Francis, um guia para ter cultura

Francis_1Paulo Francis morreu há 10 anos. Waaal. Passaram voando. Me lembro exatamente: estava de férias em Paris quando fiquei sabendo. Imagine outro jornalista com este alcance: que entristecesse um menino de 16 anos de férias. Francis falava a nossa língua. Era engraçado, cultíssimo, e escrevia sobre tudo sem pompa nenhuma. Seu Guia para ter cultura foi uma referência. Sua coluna era uma diversão. Muita gente, há dez anos, disputa o seu espólio. Mas Francis não deixou herdeiros.

domingo, fevereiro 04, 2007

Devo continuar no Mercado Livre? (III)

Muita, muita, muita gente está de pé atrás com o Mercado Livre. Aqui, por exemplo. A ortografia e a gramática são impiedosamente torturadas, mas o conteúdo está valendo -- parcialmente. Se sou contra o terrorismo "fiscal" do ML sobre seus clientes, combato igualmente o terrorismo fiscal (propriamente dito) sobre o ML. É um apelo sentimental ao leitor típico. "O" projeto de vida da classe média brasileira é fazer uma carreira longa e frutífera como cobrador de impostos; quando não dá certo na vida a esse ponto, vai se virar em atividades inferiores como, por exemplo, o comércio em leilões na internet. Pena que auditor fiscal tenha que passar em prova de português.

Pelo menos um argumento naufraga objetivamente. Ei-lo:

"Se eles tivessem um cadastro mais criterioso estes problemas iriam diminuir drásticamente, pois medidas sérias afastariam os estelionatários do sistema.

Mas isto não é prioridade, pois, eles estão interessados mesmo é que você seja um 'Usuário Certificado' só pra debitar suas comissões no seu cartão de crédito e não levarem cano, mesmo QUE ESTAS COMISSÕES NÃO SEJAM DEVIDAS, como acontece aos montes."

Se o ML estivesse tão interessado em atrair usuários certificados, plantaria um botãozão em cada uma das páginas: "Seja usuário certificado!" Hoje o link fica rigorosamente escondido. E a tradução das páginas não ajuda nem um pouco a localizá-lo. Se o ML estivesse mesmo a fim, teria acabado com essa história de cópias de documentos, envio por fax e complicações semelhantes. Se o ML desse alguma pelota a seus usuários certificados (os quais, afinal, pagam menos!), não ficaria enviando mensagens ameaçadoramente burocráticas pela menor falha de processamento do cartão de crédito. Se os usuários certificados não fossem tratados como lixo, não seriam respondidos por um andróide metido a simpático que cuida de não ler uma só linha das mensagens que recebe. E se tivessem um pingo de respeito a seus clientes brasileiros, não passaríamos por constrangimentos como este:

Devo continuar no Mercado Livre? (II)

Você é usuário, você paga, você recebe isto:


O ponto de exclamação de cabeça para baixo foi incorporado à língua portuguesa. De fato, o ML está "se achando" um Estado virtual, com sua própria língua e sua ilimitada pretensão de taxar-e-conduzir. Mas não será surpresa se, por trás da cortina, só houver um diretor-geral, um diretor-financeiro e um estagiário para manter rodando no Brasil o sistema de Miami (incluindo a tradução dos textos, apesar de o espanhol original teimar em reaflorar quando menos se espera).

Devo continuar no Mercado Livre? (I)

No Mercado Livre todos os participantes pagam na proporção do que usam. Se o usuário quiser, as cobranças cairão automaticamente no cartão de crédito, e com um descontinho não totalmente desinteressante. Para isso, bastaria ao usuário digitar o número do cartão, a data de validade e o número de segurança. Como em qualquer site normal, certo? Este não é um site normal. Zela pelo usuário. Protege o usuário do espírito-de-porco que habita em si mesmo.

É preciso tirar cópias, frente e verso, do plástico do cartão (o plástico, o que menos importa no comércio eletrônico!), junto com cópias da identidade, do CPF e do comprovante de residência. Adicione-se um formulário padrão que o usuário deve preencher, datar e assinar. Tudo deve ser enviado à sede da empresa por fax (adivinhem quem paga o interurbano), como se todo mundo ainda tivesse uma obsoleta maquininha de fax na mesa da sala. Se o usuário, que não fez nada de errado, trocar de cartão (só o número), deve enviar toda a papelada de novo, certo de que o fax é um meio inexpugnável.

Por que tudo isso? Porque as fraudes rolam soltas na internet, e parece atacar ainda mais a comunidade do Mercado Livre. Resolvem o problema do jeito que o usuário foi adestrado a aceitar como natural no Mundo Oficial: levantam uma muralha de papéis para que ninguém pense que uns pagam pela roubalheira dos outros. É um símbolo digital da Sociedade da Desconfiança. Obviamente, o site faz parte de uma multinacional que só opera na América Latina.

Em tempo: os usuários interessados em uma página que diz isto:

Não inventei nada: "completado" no sentido de "preenchido", "voçê" com cedilha e um inexistente verbo "aderirse".

Vá com fé! O futuro é brilhante! No Brasil, quem desconhece os rudimentos do português acaba presidente da República.

domingo, janeiro 14, 2007

Copiado e colado de um grande blog...

O Insurgente.




“Microsoft sent this tape to retailers to explain the benefits of Windows 386. Boring until the 7 minute mark when the production is taken over by crack-smoking monkeys.”

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Ainda os ursos polares

Pandas ameaçados são um troço tão século 20.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Rumo à grande geleira

Rio de Janeiro, 2 de janeiro. Hoje, como ontem, estou de casaco dentro de casa. O próximo que falar em aquecimento global que vá pentear ursinhos brancos.

(Em sentido figurado, pois é um tipo de encontro que não desejo nem a meu pior inimigo: os ursos polares são feras incontroláveis. E parecem tão fofinhos em propagandas ecológicas e no Zôo de Buenos Aires. Com vocês, meu primeiro vídeo postado no YouTube.)



domingo, dezembro 31, 2006

Muita luz e energia em 2007!

Este, é claro, é apenas um chavão de Ano-Novo. Na vida real, o apagão é iminente. E permanente. O Brasil é um latifundiário de fontes de energia -- ouvi falar até que é auto-suficiente em petróleo --, mas os preços são exorbitantes. A ponto de um bonequinho virtual do Second Life gastar mais energia que um brasileiro médio de carne e osso. Diante do aquecimento global, o brasileiro é o homem novo em que o Primeiro Mundo há de se espelhar. Se tiverem juízo e seguirem nosso exemplo de suprema sabedoria, os europeus e americanos folgarão em saber que o Oceano Ártico se manterá mais sólido que um picolé, os furacões pararão de castigar o Caribe e a camada de ozônio voltará ao tamanho original (o qual só é conhecido através das simulações de computador, o Second Life climatológico).

quinta-feira, dezembro 14, 2006

A seguir o programa... Boa noite

...

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Aviso à praça

O romance Sangue em Pastópolis está registrado conforme a lei brasileira.

Recebi ontem pelo correio o certificado de registro nº 391.932, livro 729, folha 92, emitido pelo Escritório de Direitos Autorais da Fundação Biblioteca Nacional, datado de 14 de novembro de 2006.

Demorou, mas saiu. Agora quem piratear a obra-prima de Salomão Gladstone (o que é desnecessário, pois há meios autorizados de se distribuir o arquivo) vai se ver com a justiça.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Segundo Turno

Peço-lhes perdão, leitores, por tornar-me taciturno.

Mas fiquei preocupado com esse segundo turno.

Não que ache o Geraldo um Messias de plantão.

Mas um Lula em dose dupla soa como palavrão.



Dizem que a voz do povo é a própria voz divina

Uma voz inquestionável, forte, altiva, cristalina.

Mas será que esse povo não está anestesiado.

Para consagrar nas urnas as sujeiras do passado?



Waldomiros, mensalões, sanguessugas e que tais

Freqüentando há mais de ano as manchetes dos jornais.

Ninguém mais se impressiona. Tudo isso é normal?

Mentiródromos vicejam. É a mentira ritual.



Admitir que o grande guia é um presidente autista

Que ficou sempre alheio à interminável lista

De diversas brejeirices inventadas por elites

E que tolerou, na boa, falcatruas sem limites?



Ninguém diz que esses podres representam novidade

Mas em termos de escala é uma calamidade.

‘Basta descobrir, eu puno e descarto os culpados’.

Pilhas há de companheiros livres sem serem julgados.



“Nunca antes” é seu mote e pergunto: Afinal,

O Brasil foi descoberto pelo Lula ou Cabral?

“Nunca soube das mutretas” ele afirma desolado.

Mesmo se a maracutaia ocorreu na sala ao lado.



Fui traído, vocifera, quando um podre se avista.

Nem pensou em quatro anos consultar um oculista.

Para realçar seus fatos usa lente de aumento.

Espetacular parece, mesmo um pífio crescimento.



Stalinismo redivivo. Fidel Castro o paradigma.

Lorenzettis, Freuds da vida, permanecem um enigma.

Jacques Wagner quem afirma: A mentira é natural.

Corrupção quando negada vira coisa de vestal.



“O Brasil jamais se verga”, mas me ocorre, enquanto escrevo,

Que esqueceu a esperteza do seu companheiro Evo.

Que refém de Hugo Chávez, sentadão no seu curul

Junto com o Nestor Kirchner, detonou o Mercosul.



Comparou suas proezas com os feitos dos tucanos.

Só que o Fernando Henrique governou faz alguns anos.

Com as crises agitando o planeta por inteiro.

Lula teve quatro anos sempre em céu de brigadeiro.



Fala em privataria, mas bem sabe que de fato

É um argumento tosco. Serve pro bicampeonato.

Pois a tal ‘privataria’ acabou com o sossego

Da turminha acomodada no seu cabidão de emprego.



Trinta e tantos ministérios todos bem aparelhados

Competência? A carteira do PeTê e assemelhados.

Ao bater no peito clama: Quem decide aqui sou eu!

Os maldosos, a Zelites dizem que foi Zé Dirceu.



Se der Lula — tudo indica — não será o fim das eras.

Os programas se parecem, vamos espantar quimeras.

O que causa arrepios é saber que a equipe

Não é a dos marqueteiros do seu belo videoclipe.



Mas, enfim, se todos querem, dane-se o tucanato

E se escolherem Lula para um novo mandato,

Vale a pena, ao menos, além de rezar, pedir,

Quando bebe, presidente, é melhor não dirigir.





AS

sexta-feira, outubro 06, 2006

Lembrem-se do computador nacional, do carro nacional, da Zona Franca de Manaus, dos acampamentos de sem-terra, dos ascensoristas, das concessões de rádio e TV, das obras de Niemeyer, da distribuição de camisinhas, do Mercosul. Quando algo não funciona, o governo ampara. Fracassemos, portanto.

domingo, setembro 24, 2006

De Diogo Mainardi, aqui:

A nossa literatura foi sempre muito escolástica, e isso dai era uma medalha para quem queria fazer algum tipo de carreira em outra área. Essa literatura de Fardão é muito característico nosso, o discurso empolado, do engano. Não é uma literatura franca, aberta. É algo que serve de trampolim para conseguir alguma outra coisa. Gente parasitária que quer conseguir algo em troca. Sempre foi uma moeda de troca. Não é uma literatura pura. É para conseguir posições de poder, ou para se associar a alguém que tenha posição de poder, o que é pior ainda.


Obviamente, trata-se do Brasil. A literatura não é um caso isolado. Troquem "literatura" por "indústria de software". Muda muita coisa?

Voltarei ao assunto.

segunda-feira, setembro 04, 2006

TV de Alta Indefinição (II)

A continuação.

Saudades?

Sabado fomos ver "Casseta & Planeta - Seus Problemas Acabaram" num
cinema do Centro. De olhos fechados nota-se por que os cinemas do Centro
cairam em irreversivel decadencia: em certos trechos mal se entendia o
que os personagens falavam. Sao corretas as criticas que dizem que o
filme e' uma versao extended-play do programa de TV, o que em si nao e'
mau quando os "cassetas" fazem o que melhor sabem fazer diante das
cameras. O problema e' que uma coisa e' fazer cinema, outra e' fazer TV
filmada. Solucoes de direcao e interpretacao que seriam banais em
Hollywood (nao me refiro a efeitos zilionarios) sao rejeitadas no cinema
nacional por pura vergonha de imitar modelos de sucesso. Por isso esses
filmes que "nao fluem". E o da Casseta ate' tem uma historinha legal.

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