segunda-feira, setembro 17, 2007
O baú dos cartões 11: série vertical
Cartões verticais não aparecem muito nas estatísticas. "Naqueles tempos", pela minha amostragem de colecionador, menos ainda. Neste e nos próximos posts, uns exemplos aleatórios.
Por volta de 1983. Para vingar esse descarado ato de tráfico de marca, por pouco Ronald Reagan não manda invadir o Brasil. Mas segundo a lei brasileira, como dizia o camelô mexicano da Regina Casé, era a autêntica "piratería garantizada".
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Gilberto Paim, o visionário
Um dos petardos do livro de 1985:
"Como o atraso está vinculado à estatização, já é previsível o fechamento da Cobra, por desnecessária. Se a Itautec, a Sid, a Sisco, Elebra e Edisa produzem melhor e mais barato do que a Cobra, por que razão manter a estatal?"
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quinta-feira, setembro 13, 2007
Em Niterói...
Transmitindo diretamente da Cidade Sorriso depois de tanto tempo, eis-me numa belíssima noite para... Ver o semifinal da novela?
Pelo menos é o que todos parecem fazer. Na rua, só uns gatos pingados.
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Liberou geral (I)
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terça-feira, setembro 11, 2007
Para não dizer que não escrevi nada sobre o Onze de Setembro
Enquanto é tempo.
Pode o governo do Brasil premiar terroristas internos e ainda assim lamentar atentados externos?
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A divisão do bolo já está feita?
É claro que não.
Essa é uma questão que me intriga há décadas, não pela questão em si, mas como ela tem sido trabalhada pela esquerda em flagrante contraste com o gut feeling do cidadão comum.
Como de costume, a lamentação "a divisão do bolo já está feita", afirmada como lei divina, diz menos sobre fatos do mundo do que sobre o próprio etos esquerdista. A Humanidade progride como naquela mensagem de fim de ano: "tente, invente, faça diferente". Esquerdistas não progridem porque são avessos a riscos. Para fugir do desconforto de encontrar atores fugindo do script, imaginam ricos engessados na riqueza e pobres na pobreza. Um moleque como Bill Gates jamais teria passado a perna na IBM, que já era gigante mesmo antes do primeiro computador.
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Computador Faz Política
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sexta-feira, setembro 07, 2007
O baú dos cartões 4
Outro do início dos anos 80. Quando localizá-la, postarei a versão deste cartão em castelhano com cores alternativas.
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Tags: cartões
O baú dos cartões: estréia mundial!
Enfim os cartões há muito esquecidos no fundo do armário ganham seu espaço na Web. Quantos eu tenho? Perdi as contas. Como se não bastassem os incontáveis cartões recentes acumulados, qualquer seleção aleatória -- como a deste lote inicial de dez -- acaba tendo cheiro de "vintage", pois a coleta começou em 1980.
Daqui para frente, as normas e os esclarecimentos:
- Nenhum cartão está à venda.
- Os cartões são mostrados aqui exclusivamente por sua importância histórica e artística. Não recebemos jabá de qualquer pessoa física ou jurídica.
- Tem um cartão interessante para mostrar? Envie-o via correio-lesma (consulte-me). Sempre, sempre, sempre vale integralmente o determinado no item 2.
- Os cartões foram originalmente digitalizados em 1200 dpi. A quem estiver realmente interessado, tenho os originais aqui.
- Os cartões foram levemente retocados no meu editor de imagens favorito -- só o estritamente necessário para os casos mais sérios de manchas e rabiscos. De resto, até o quanto é possível, as imagens revelam as qualidades e os defeitos dos cartões originais.
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terça-feira, setembro 04, 2007
Conexão Global
A coluna de Nelson Vasconcelos no Globo de 27 de agosto chorou as pitangas em nome do Software Livre (ou, mais modestamente, do software livre; falta um consenso editorial/sentimental sobre as maiúsculas) pelo tal plano da Receita Federal de investir R$ 40,9 milhões em licenças do Microsoft Office 2007.
A coluna de hoje celebra o torpedeamento do "leilão para a gastança com o dinheiro público". Título da nota: "Valeu o bom senso". Parabéns! Tiro meu chapéu, agora que é de conhecimento geral que os R$ 40,9 milhões serão diligentemente devolvidos ao pagador de tributos... Epa, não é bem essa a história.
"'Esses R$ 40,9 milhões podem ser utilizados em outras atividades (...), como em projetos tecnológicos voltados para a democratização da informática', disse o coordenador adjunto da Associação Softwarelivre.Org, Gustavo Pacheco."
É claro, a idéia-mãe das colunas de Nelson Vasconcelos era convencer a Receita a considerar a suíte alternativa (e grátis) BrOffice. Pois eu tenho uma idéia melhor para a Receita apoiar a democratização da informática e desonerar o "contribuinte": em vez de comprar as 44 mil licenças do MS-Office, eliminar já os 44 mil postos de trabalho correspondentes.
Por que não?
Todos os servidores da Receita são pessoas bem formadas, aprovadas em provas muito difíceis. Ingressaram no serviço público porque provaram ficha limpa e capacidade física. São altamente capazes de desempenhar suas funções. Detêm cargos cobiçados e invejados. Certo? Sendo tudo isso verdade, pessoas assim terão muito menos dificuldade para achar empregos no "mundo real" do que o brasileiro médio. E com a redução do bafo quente da Receita nas costas, a vida ficará mais fácil para todo mundo. Pense.
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Tags: Microsoft, OpenOffice, Receita Federal
Horas lamentáveis
Tem alguém me lendo aqui? Ninguém? Ótimo.
Se alguém sentiu falta, passei a segunda-feira cuidando do www.jogueaki.com.br e de outros assuntos. No domingo, cataloguei incontáveis CDs e DVDs (no entanto, ainda não estou certo se escolhi um programa decente para isso -- sugestões, alguém?). Na sexta e no sábado... Bem, foi uma belíssima ocasião para eu ter ficado quietinho em vez de procurar a "ajuda" das otoridades médicas.
Na noite de quinta comecei a sentir uma leve dor no peito que continuou na manhã seguinte. Dr. Google não achou nada. Fui a um médico que também não achou nada, mas me encaminhou para os devidos exames. Mole, né? Pois se isso um dia acontecer com você, pelo menos assegure-se de procurar um hospital que não confunda uma coisinha de menor importância com um infarto agudo do miocárdio.
Resumindo: ficar num CTI não é nada confortável. Foram umas vinte horas (não havia relógios e o ambiente não permitia saber direito quando era dia ou noite) preso a uma cama desconfortável, sem telefone, sem televisão, sem um livrinho, sem nem um iPod paraguaio, sendo submetido a procedimentos e mais procedimentos. O mínimo que se espera é que os procedimentos façam sentido. Mas não fazem.
Quando percebi que tinha caído num "Feitiço do Tempo" de exames (que não davam nada de estranho) e medicamentos (que não tinham relação com qualquer enfermidade real ou suspeita), vi que eram remotas minhas chances de progresso naquele lugar. Tarde demais: só na manhã do dia seguinte é que o médico poderia começar a pensar na possibilidade de me mandar para um quarto, como se fosse uma alternativa tremendamente animadora para quem queria mesmo voltar para casa.
Em miúdos: enquanto a opinião das otoridades de branco sobre o meu estado oscilava entre o "não há nada" e o "não tenho a menor idéia", tentaram cuidar de me manter imóvel, quietinho, sonolento, insensível ao importúnio dos procedimentos e com um aspecto debilitado que fizesse a família pensar "tadinho, foi sério mesmo, ele tem que ficar mais tempo no CTI". Afinal, por que o hospital perderia a bocada?
Não entro em detalhes para não alarmar desnecessariamente o leitor. Mas assim que começou a hora da visita, na manhã de sábado, minha mulher e minha sogra (em todos os tempos daquele CTI eu fui o único genro a ter sido visitado pela sogra) fizeram o que era certo e assinaram minha alta à revelia. Voltei para casa e retomei minha vida normal. Simples assim.
Update: Internado, você estará nas mãos de um cabeça-de-bagre profissional. Viva com essa verdade. Mas se você estiver lúcido e se sentir só mais-ou-menos, não autorize coisa alguma antes de ouvir o conselho de um cabeça-de-bagre que você já conheça.
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quinta-feira, agosto 30, 2007
Como era gostosa minha reserva de mercado
Enfim um lampejo de racionalidade: os usuários do Speedy, "o" serviço DSL de São Paulo, não precisarão mais pagar a provedores inúteis.
Como os provedores inúteis reagem? Assim.
Trecho da matéria: "O presidente da Abranet afirma que os provedores cobram preços competitivos e adequados para o serviço que prestam, o que inclui ferramentas de segurança, suporte, e-mail e muitas vezes conteúdo".
Segurança: O tráfego passa realmente pelos provedores?
Suporte: "Desculpe, isso é culpa do Speedy, não do provedor."
E-mail: Como brasileiro é tudo burro, nunca ouviu falar de caixa postal grátis.
Conteúdo: Esfreguei os olhos para reconferir se quem afirmava era o presidente da Abranet ou o presidente de um determinado provedor. O mesmo cuja caixa de mensagens ainda nem passou da era da Web 1.1. O mesmo que pensa que o mundo permanece na era da política de portais pré-2000.
A era de ouro dos provedores brasileiros foi a do link de 64k compartilhado por trocentos usuários que pagavam, cada um, uns 30 dólares de taxa fixa mais o proporcional pelo tempo de uso mais o custo do telefone (astronômico para quem não vivesse numa cidade politicamente favorecida pela operadora de telefonia). Mas pelo menos os militantes antitruste não podiam reclamar: naquele tempo a concorrência era muito maior! Daí que, como os provedores eram muito bonitinhos e fofinhos, acabaram sendo agasalhados por uma lei que consagra a inutilidade, o relaxamento, o atraso, a pilhéria com a desgraça alheia.
Que tal produzir uns serviços que valham a pena ser pagos, para variar?
Que seja mantida a decisão, que os provedores enfiem a viola no saco e que a voz da razão de São Paulo seja ouvida nos outros estados.
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"Travamento no setor 4!"
O Gmail está dobrando ao peso da fama?
Desde ontem os auto-travamentos "de segurança" do Gmail estão insuportáveis. Tudo que é dito é que "nosso sistema indica uso anormal da sua conta. Para proteger os usuários do Gmail contra o uso potencialmente nocivo do Gmail, esta conta foi desativada por até 24 horas.".
Proteger quem de quem, cara-pálida? Eu li os termos de uso. Não uso nem usei o Gmail para armazenar arquivos piratescos, nem como storage online, nem como disseminador de vírus ou de mensagens excessivas.
Mais adiante, diz a página: "Se achar que está usando a conta do Gmail de acordo com os Termos de Uso, ou normalmente, entre em contato conosco preenchendo este formulário para comunicar o problema." O link envia a uma página em inglês. Só em inglês, e meio escondida na tal página, há explicação para o auto-travamento. E essa explicação não explica nada.
As únicas páginas de usuários comentando a situação se limitam à choradeira de infratores reais, usuários do Impávido Colosso frustrados porque o Google opressor os descobriu usando a conta do Gmail para distribuir "certas coisas".Que tal? Uma palavrinha oficial para os pobres e honestos usuários, dá para ser?
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quarta-feira, agosto 29, 2007
Forbes descobre o Orkut
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Santa ingenuidade
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Plaxo gets naked, opens up some source code
Aqui, ó. E já usei muito o Plaxo.
O que acham?
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terça-feira, agosto 28, 2007
Como queríamos demonstrar
Em baixa, Fotolog é vendido para franceses
Não se deixem enganar. Uma horda de freeloaders brasileiros analfabetos, como um bando do MST, ocupou o Fotolog e o destruiu. Os únicos beneficiários foram os muambeiros de câmeras digitais.
Quando surgiu o YouTube, segundo a infinita sapiência coletiva dessa gentalha, instantaneamente essa coisa de fotos paradas virou "out". E o Fotolog foi abandonado às traças.
Aposto que o Second Life será a próxima vítima do hype mal conduzido. Se o mundo fosse justo, o Orkut já teria tido o mesmo destino.
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sexta-feira, agosto 24, 2007
sexta-feira, agosto 17, 2007
Cansaram do 'Cansei'?
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Os 100 blogs mais populares do Brasil (ou melhor, no Brasil)
Aqui, com bons comentários.
Teste: Você, blogueiro amigo, se depara com o listão, examina os blogs e se esforça para...
a) Seguir o caminho tão viajado e tão seguro dos campeões de audiência;
b) Fazer algo diferente e algo melhor que o rodízio de chuchu das cabeças coroadas.
Seja sincero. E imagine qual alternativa seria escolhida por seu blogueiro favorito.
Quem é o reacionário?
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quarta-feira, agosto 15, 2007
terça-feira, agosto 14, 2007
Digg in the beginning : The first 10 stories
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domingo, agosto 12, 2007
Quanto se gasta em pedágios...
27/07, 7h16, Viúva, R$ 7,50
27/07, 9h18, Itatiaia, R$ 7,50
27/07, 10h20, Moreira, R$ 7,50
27/07, 11h26, Jacareí, R$ 3,30
27/07, 11h36, Parateí, R$ 3,60
29/7, 14h10, Parateí, R$ 3,60
29/7, 14h58, Jacareí, R$ 3,30
29/7, 15h48, Moreira, R$ 7,50
29/7, 17h00, Itatiaia, R$ 7,50
29/7, 19h06, Viúva, R$ 7,50
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sexta-feira, agosto 10, 2007
Continuo não endossando este movimento
O importante é que o segundo governo de Lula já acabou. O Grande Timoneiro de Garanhuns, para variar, não sabe. Mas já acabou em um sentido: eleito pelo "povo" (muitas aspas, pois abstrações não vão às urnas), não conseguirá mais um olho-no-olho com uma amostra grande e não-amestrada desse "povo". Os vaiadores o seguirão aonde for, como Collor em 1992 depois de publicadas as denúncias de seu irmão Pedro. O turismo republicano do Supremo Magistrado da Nação se resumirá a pular de uma base aérea a outra, como Sarney depois do fim do Plano Cruzado.
O primeiro governo de Lula, já lembrei em artigo, acabou no momento em que Roberto Jefferson aconselhou José Dirceu a sair do Planalto rapidinho. Não faço idéia de quanto custou mantê-lo ligado a aparelhos até a eleição seguinte.
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Discriminação digital?
Historicamente, a esquerda brasileira nunca esteve nem aí para levar computadores a ricos ou pobres, brancos ou negros. Quando a ONG do Betinho perdeu o monopólio da distribuição de internet para brasileiros reles mortais, na mesma hora brotou outra ONG seguindo o mesmo modelo e a mesma inspiração ideológica da Campanha Contra a Fome (aquela que muitos esquerdistas consideravam paliativa e diversionista): o Comitê para Democratização da Informática.
Nos tempos do Diário da Tropa, um boletim por email que publiquei entre 1998 e 2000, nunca os leitores me xingaram tanto quanto nas ocasiões em que me mostrei cético diante do CDI. Mostrei exaustivamente por que um CDI em expansão não conseguiria doações de computadores que bastassem à necessidade. Hoje há muita gente jogando fora, ou quase, micros mais ou menos usáveis (não me venha com 486s ou Pentiumzinhos) porque o dólar está barato em reais e o computador novo está barato em dólares. Com isso, um monte de gente está se "incluindo digitalmente" por conta própria, o que torna relativamente menos necessários os núcleos de informática coletivizada propostos pelo CDI e imitados por governos e governos.
E agora mais essa. Tirei daqui, ó.
Ligo a TV e vejo matéria sobre exclusão digital. O fato de ricos e brancos usarem os centros de acesso gratuito à internet mais do que os pobres e negros é definido como discriminação digital. Como assim, “discriminação digital”? O computador sente o cheiro de pobre? O computador sabe diferenciar a raça do usuário? É claro, “exclusão digital” é uma expressão segura, simples tradução de um fato; era fundamental ir além, era necessário usar uma expressão que explicasse as verdadeiras causas da exclusão. As pessoas excluídas são excluídas porque são discriminadas — e são discriminadas nesses centros porque são pobres e negras. Simples como rasgar uma página do dicionário. Se o espectador não se abalava com “exclusão digital”, ele irá se abalar com “discriminação digital”. Mas não temam, as estatísticas não mentem: se nesses centros os negros são minoria é mister fazer algo por eles. Em breve teremos cotas raciais para acesso à “rede mundial de computadores” (como alguém consegue usar essa expressão diante das câmeras sem cair na risada?). A matéria não falou de cotas, mas tem o kit pronto para quem quiser comprar.
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quinta-feira, agosto 09, 2007
PF caçando palhaçadas sobre a TAM no Orkut? Aqui, ó
[notem a data original: 26/05/2006]
A arte do relacionamento é uma arte que vem do tempo das cavernas. Nesse negócio mente-se muito desde sempre: separar a verdade da mentira faz parte do jogo. Pelo menos sempre houve um método na enganação. O pobre se fazia de rico, o picareta fingia honestidade, o feio aumentava sua belezura. Nem essas velhas tradições passam incólumes no Brasil.
Na medida em que o Orkut criou novos meios para que pessoas façam contato com pessoas (ou "pessoas" feitas de bits e bytes que só existem na fantasia de seus criadores), virou o paraíso da exposição mútua das esquisitices. Quanto mais você for louco, feio e vândalo, maior o seu sucesso social.
Os criadores do Orkut achavam que a comunidade regularia a si mesma através da rede de vínculos sociais. Só esqueceram de combinar isso com a "elite branca" que acessa a internet no Brasil. Resultado: prostituição, tráfico de drogas, pornografia infantil, apologia a ideologias criminosas. Os honestos ficaram quietos ou saíram de cena, deixando livre o caminho para a classe bandida da rede. Deve ser o conceito brasileiro de "liberdade de expressão".
Os homens da lei brasileiros não estão gostando nada disso. Depois de muita insistência, conseguiram a cooperação da poderosa/odiável Google Inc., dona do Orkut, contra as comunidades de usuários que têm violado a legislação nacional (e, antes disso, o termo de conduta do Orkut, documento que todos fingem que não existe). O escritório da Google no Brasil começou dizendo que nada tinha a ver com o site, que é hospedado nos Estados Unidos, e que a representação brasileira só serve para negócios. E já que os dados orkutianos estão em servidores americanos, seu sigilo não pode ser quebrado pelas autoridades brasileiras.
Observação cem por cento correta, mas ainda assim uma linda contribuição aos anti-Google. Jogou gasolina numa fogueira em que o Ministério Público chegou a propor a "desconstituição da pessoa jurídica" da Google no Brasil. Inútil. Os usuários daqui continuarão acessando os servidores do Orkut lá na Califórnia. A não ser que, à moda chinesa, uma barreira virtual de censura impeça o Brasil de ter acesso ao Orkut.
Mas a Google americana deve entregar os dados sigilosos de todos os picaretas. Que o faça já para que as autoridades brasileiras se convençam logo de que não há o que se possa rastrear a sério. Nada é mais fácil do que criar no Orkut perfis falsos com dados inverificados e inverificáveis. Se quem busca o Orkut para fazer contatos e disputar popularidade sabe disso, os criminosos sabem mais ainda.
Pelo menos a bronca do MP tem uma base incontestável: o Orkut não tem feito tudo o que pode para criar e manter um ambiente limpo.
Há algumas semanas o Orkut incluiu por padrão nas páginas iniciais dos usuários uma lista de visitantes recentes. Foi o suficiente para deixar em pânico muitos orkutianos subitamente expostos pela xeretice alheia. Preocupam-se por bobagem. Todo mundo pode entrar no perfil de todo mundo por qualquer motivo ou por motivo nenhum.
Pelo menos esse recurso pode ser desativado conforme a preferência do usuário. Enquanto isso, tem feito falta desde os primórdios do Orkut um elemento que deveria ser mostrado obrigatoriamente, com o maior destaque possível, em cada uma das páginas iniciais: o nome de quem indicou aquele usuário. Acompanhem meu raciocínio:
1) Ninguém cai de pára-quedas no Orkut. Todo usuário, com perfil verdadeiro ou falso, só entrou porque foi convidado por alguém e tinha um endereço email válido para receber o convite. Nazistas, pedófilos e traficantes só entraram no Orkut (e convidaram para o Orkut seus próprios amigos com "interesses" afins) porque algum dia alguém traiu a confiança de gente honesta.
2) Todos querem aparecer. Pelo menos até o ponto em que interessa, a melancia no pescoço é adereço obrigatório. Farão todos os "amigos" que encontrarem pela frente e entrarão nas comunidades mais absurdas possíveis -- quantidade, não qualidade -- enquanto acreditarem que seus podres não serão contestados.
Resumindo: com a revelação do "Q.I." do usuário, antes mesmo de quaisquer ordens judiciais, todos os orkutianos teriam a resposta clara e antecipada da pergunta tão necessária: "Quem deixou o nazista entrar?"
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Paulo C. Barreto
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Quando a Assespro mergulha no poço da saudade
[12/05/2006]
Toda a indústria nacional gosta de pintar em tons de cor-de-rosa o quadro de seu passado glorioso, apresentar-se como vítima inocente de um presente cruel e contar com novas "políticas públicas" que defendam seus interesses daqui para o futuro.
No mundo da informática brasileira ocorre exatamente o mesmo, mas pelo menos no caso da Assespro (Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet) não há por que suspeitar de uma conspiração da entidade de classe para iludir o público e influenciar decisões governamentais com base em premissas erradas e distorções históricas.
Eis o que se lê no documento "A Política Industrial para o Setor de Software: Propostas da Assespro" [http://www.assespro-rj.org.br/instituc/politicaSW.html], aprovado pela diretoria da associação em 12 de março de 2004:
"Em 1992 iniciou-se o declínio da maior empresa nacional de software à época, a carioca Convergente. A principal razão foi que, com a chegada do Windows, a Caixa Econômica Federal, um dos maiores usuários do Carta Certa, optou por descontinuar o seu uso e substitui-lo pelo Word 2. O orçamento à época remontava a cerca de meio milhão de dólares. A Convergente tentou de todas as formas sensibilizar a Caixa para que apoiasse a sua versão Windows, que ficaria pronta em no máximo 4 meses, em troca de um aporte financeiro de menor monta. A Convergente fez o seu papel e lançou o Carta Certa for Windows, a Caixa não. O resultado: a Caixa não tem mais Word 2.0 e o Brasil não tem mais a Convergente."
A mensagem tem destinatários certos: os guardiães da chave dos cofres públicos, que não necessariamente entendem de informática e, quando entendem, muitas vezes dão uma de Silvinho Pereira e se esquecem do que era usar computador no Brasil naqueles tempos. Mas os membros da Assespro se lembram tanto que têm boas histórias para contar aos "gestores de políticas públicas".
Se aceitam minha sugestão, poderiam relatar que o Carta Certa foi produto da reserva de mercado, o produto da ditadura mais querido da esquerda militante. Seus dias de glória foram aqueles das máquinas de terceira a preço de primeira, pois as importações eram proibidas e o capital estrangeiro era o diabo que não podia manchar as fábricas locais de computadores. Da mesma forma, estavam fechadas as fronteiras para o software internacional: o Carta Certa não tinha muitos concorrentes no mercado legal de processadores de textos. O WordStar era campeão de popularidade da época, mas a bordo da pirataria deslavada. WordPerfect e Microsoft Word, em suas versões pré-Windows, não chegaram a ser amplamente usados.
Ainda assim, era um mercado bem mais dividido que o de hoje. Ninguém arriscava um palpite sobre qual seria o processador de textos dominante dos anos seguintes. Poucos apostavam que o Microsoft Word para Windows fosse tomar conta do mercado. Na verdade, poucos podiam sequer apostar no Windows, que ainda rodava mal e exigia no mínimo um micro 386 -- classe de computadores ainda rara e cara no mercado não-muambeiro. Fazer programas para as carroças made in Brazil, nivelando por baixo, era realismo patriótico.
Assim fez a Convergente. Não tinha um Carta Certa para Windows porque não achava que fosse necessário: a maioria das máquinas só usava DOS, aquela matriz de letrinhas (geralmente verdes) sobre fundo preto. A Caixa tinha muitos computadores incapazes de rodar Windows, mas que suportavam o Carta Certa. A Convergente faturava com as licenças de uso. Pensava que os usuários corporativos se manteriam contentes com aquilo por tempo indeterminado, mantidos os 386 como brinquedinhos pequeno-burgueses, e as licenças de uso continuassem entrando sem grande esforço.
Mas em 1992 muita coisa mudou. A reserva de mercado caiu, reduzindo os preços dos computadores. A abertura aos importados já era realidade. A Microsoft lançou a versão 3.1 do Windows, um aperfeiçoamento substancial no ambiente gráfico (não que pareça grandes coisas aos olhos do usuário de hoje, mas foi). Até a Eco-92 ajudou, consolidando a Internet no Brasil. A Caixa teve a oportunidade inédita de se reequipar informaticamente, comprando máquinas a preços mais justos. Se assim não fosse, continuaria no DOS e no Carta Certa. Quem mandou migrar para o Windows? Mesmo sobre um Windows que funcionava relativamente mal, o MS-Word era um excelente motivo para adotar as janelinhas, mesmo que ninguém ainda tivesse idéia de que aquele processador de textos viria a dominar o mercado.
O outro erro de avaliação da Convergente foi contar com a boa vontade de um único comprador. Notem que, num mercado indefinido, o processador de textos brasileiros tinha vantagens nada desprezíveis: era feito em língua portuguesa, era um nome famoso, tinha muitos usuários (que geravam incontáveis documentos compatíveis com ele), rodava tanto nas máquinas antigas quanto nas mais recentes. Mesmo o Carta Certa para Windows, quando saiu, era notável por ocupar pouco espaço em disco num tempo em que o armazenamento não saía barato. Por que, então, foi sendo gradualmente deixado de lado não só pela Caixa, mas por incontáveis organizações e pessoas físicas?
Em momento algum o documento da Assespro discute o que realmente interessa em toda a questão: se a decisão da Caixa em adotar o Word, pesando prós e contras, foi vantajosa. Como verificá-lo, se é que é possível? Estamos falando de setor público, confortavelmente imune ao cálculo econômico.
Por isso tudo, não há conspiração nenhuma. Haveria se tivessem consciência da engabelação que praticam. Pelo contrário: os arautos da grandeza pontogov iludem uns aos outros com tanto ímpeto que acabam acreditando mesmo no que dizem.
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terça-feira, agosto 07, 2007
Enfim a luz
2007-08-07
Não é desertor, estúpido
Os atletas cubanos que fugiram da ilha da miséria (Cuba) não são "desertores". Toda a imprensa brasileira os está chamando assim. Acontece que desertor é:
que ou aquele que deserta do serviço militar;
o que fugiu ao cumprimento do dever.
Os atletas cubanos não fugiram do serviço militar, estavam competindo no Pan. Não fugiram tampouco ao cumprimento do dever. Chamá-los de desertores equivale a negar-lhes o básico direito de mudar de país. Equivale a endossar a política de Cuba, uma ditadura ferrenha que proíbe de sair os que tiveram o azar de lá nascer. Será que o Estadão endossa essa clara violação dos direitos humanos? Não? Então chamem os atletas de "fugitivos" ou "dissidentes" no máximo.
Aceitar que os cubanos são desertores é o primeiro passo para tirar direitos básicos do brasileiro, que está para ser vítima de um regime absolutista cujo nome ainda não sabemos. Será Petismo? Ou será Lulismo?by Zappi
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Paulo C. Barreto
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Tags: Cuba, lula, Pan-Americanos
Já que falei da falta de placas...

Por enquanto é só. Escasseiam os posts. Segue a dúvida sobre quem se beneficia do participacionismo da Web 2.0. Quem tem certeza? E, dado o cenário, que importam as certezas?
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Paulo C. Barreto
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segunda-feira, agosto 06, 2007
Critiquinha de restaurante
Pode ser que o novo Emporium Pax do térreo do Rio Sul se torne alguma coisa um dia. Pois na noite de quinta-feira...
- Notamos várias mesas ladeadas por baldes que aparentemente esperavam garrafas de champanhe. Muito chique, não é? Errado: os baldes recolhiam a água de várias goteiras.
- Dois garçons, atrapalhados, anotavam os pedidos. Mas um transmitia os pedidos e o outro nos deixava no vácuo.
- Nossa quiche, pronta, ficou um tempão dormindo sobre o balcão antes que alguém se lembrasse da salada.
- Serviram taças de vinho branco estupidamente gelado (não sei se esse é um costume folclórico carioca, mas já deu o que tinha que dar). Questionado sobre a procedência da bebida, o garçom se esqueceu de nos mostrar o rótulo.
- Um problemão que não nos afetou pessoalmente, mas vale registrar: o chope é -- com a licença da má palavra -- Sol.
Procura um Emporium Pax decente? Vá ao Botafogo Escada Shopping. Com mesa na janela, é claro.
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Paulo C. Barreto
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domingo, agosto 05, 2007
A tradução da entrevista é uma titica...
...mas a leitura é recomendada. Só não é integralmente coincidente com a opinião deste blog.
"A web 2.0 é uma ameaça à cultura"
O pensador inglês considera o fenômeno mais badalado da internet uma “picaretagem”
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Paulo C. Barreto
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Tags: Andrew Keen, entrevista, The Cult of the Amateur, Web 2.0






















