sexta-feira, novembro 23, 2007

Megalojas

A Tower Records já dançou. Andrew Keen, em “The cult of the amateur”, ainda sem tradução no Brasil (não esperem; encomendem o original), chora longamente a perda. É nessas horas que o argumento do livro, em geral digno de respeito quando denuncia “duela a quien duela” os ídolos ocos da era 2.0, se perde em dores-de-cotovelo, emocionalismos, ímpetos “californianos” de ser do contra. Keen preferia que a galera continuasse, como nos bons tempos, gastando sola de sapato para prestigiar a Tower Records, ouvir as sábias dicas dos vendedores... Quero ver no Brasil um vendedor, de qualquer coisa, com competência para algo mais que intimidar possíveis não-compradores e procurar preços escondidos. Descontando a pirataria, o público-alvo virou as costas quando descobriu que tudo que havia na Tower se comprava melhor em lojas virtuais com catálogos (de vendas por catálogo os americanos entendem) ilimitadamente expansíveis e infinitamente comparáveis uns com os outros. No geral, isso deixa o consumidor passando melhor hoje do que ontem. É nessas coisas que internet faz a diferença. Mas enquanto Keen passeou só na superfície do descalabro cultural pós-bolha pontocom, “The weightless world” (cadê a tradução?) é que revirou os alicerces da economia digitalizada e não gostou do que viu. Isso quando a glória e prosperidade da Nasdaq ainda era considerada eterna...

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